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Pesquisa 19 nov 2024

Dor persistente na infância pode diminuir tolerância à dor na adolescência

Estudo apresentado no Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) investiga o risco de desenvolver dor crônica em adultos a partir das experiências de dor na adolescência.

Dor persistente na infância pode diminuir tolerância à dor na adolescência

A dor persistente na infância pode diminuir a tolerância à dor na adolescência conclui um estudo apresentado hoje no Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) que procura prever o risco de desenvolver dor crónica em adulto.

Como nome SEPIA (acrônimo de Studying Experiences of Pain In Adolescents), este estudo teve como objetivo identificar características-chave da dor física durante a adolescência que permitam prever o risco de desenvolver dor musculosquelética crónica na transição para a vida adulta.

Em declarações à agência Lusa, a investigadora do ISPUP e coordenadora do projeto SEPIA, Raquel Lucas, contou que recorreram a um Teste Sensorial Quantitativo (QST), que mede a resposta à pressão física com base num equipamento computorizado, permitindo caracterizar de modo seguro a sensibilidade à dor numa fase crucial para o desenvolvimento de trajetórias de dor crónica.

“Observou-se que adolescentes com histórico de dor musculoesquelética desde a infância apresentam menor tolerância à estimulação por pressão, o que sugere que a exposição prolongada à dor na infância pode aumentar a sensibilidade à dor na adolescência”, concluiu.

Nas raparigas, a tolerância à dor se mantém praticamente igual com a puberdade. Já nos rapazes, a tolerância à dor aumenta 20% nesta etapa. Foi ainda possível constatar que, nas raparigas, quanto maior o IMC aos 10 anos, maior o risco futuro de dor musculoesquelética na adolescência.

O estudo também revelou que os pais têm tendência para subestimar a dor dos filhos, especialmente em casos de dor múltipla e de alta intensidade, e que a forma como os jovens percecionam a dor é determinante para a formação do seu bem-estar ao longo de toda a vida.

Para desenvolver este projeto — financiado pela FOREUM — os investigadores envolveram cerca de 5.000 participantes, incluindo mais de 2.000 jovens com idades entre os 14 e os 18 anos e os seus cuidadores.

Fonte: Agência Lusa / ISPUP

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